Prefácio

QUE BAILE É ESTE?

Gustavo Bernardo

O romance de Vera Oliveira é obviamente ficção. Entretanto, a narrativa é tão tensa, deixando o leitor tão dentro da memória, dos sonhos e dos pesadelos de Lola, a protagonista, que parece mais real do que a própria realidade.

Com essa expressão paradoxal, “mais real do que a própria realidade”, quero dizer que Lola parece mais próxima de nós do que muitos dos nossos melhores amigos. Isso acontece, talvez, porque, enquanto vivemos a vida, os acontecimentos simultâneos que nos envolvem, muitos deles contraditórios entre si, confundem tanto a nossa percepção quanto as nossas emoções.

Quando lemos uma história tão bem escrita como esta, porém, nós nos damos ao luxo de, primeiro, escolher viver essa história, e segundo, nós também nos damos ao luxo de a podemos viver de maneira concentrada e focada. Escolher ler um romance já é um luxo porque raramente escolhemos o que nos acontece, mas, ao contrário, somos “escolhidos” pelos acontecimentos — seria até melhor dizer que somos atropelados pelos acontecimentos. Também é um luxo podermos nos concentrar na história que lemos, o que nos faz vivê-la mais intensamente do que o fazemos no dia a dia.

A história de Lola, em especial, nos agarra praticamente desde a primeira página, apresentando uma protagonista que “come o pão que o diabo amassou”, como se dizia antigamente, mas, ao mesmo tempo, encontra forças para superar não apenas as adversidades, mas, antes de tudo, para superar as maldades do mundo. Por isso, como quis a autora, “segue o baile” — em outras palavras, a vida continua, e, apesar de tudo, ela ainda pode ser bela.

A história é fictícia, já o reconhecemos. Todavia, qualquer semelhança com pessoas vivas e acontecimentos reais não será mera coincidência. Nesse sentido, o romance de Vera Oliveira faz uma denúncia, tão contundente quanto necessária, da sucessão de violências e abusos que pode sofrer uma mulher brasileira, e desde bem pequena. Por isso, este romance cumpre brilhantemente uma das mais importantes funções sociais da literatura.

Essa função é cumprida não pelo acúmulo de números e estatísticas, mas sim pela hábil construção de uma personagem comum que, se não se configura de modo algum como uma super-heroína, na verdade atua como uma metonímia, isto é, como uma legítima representante de todas as meninas e de todas as mulheres do país, quiçá do mundo. Todas elas precisam, como Lola, levantar a cabeça, desanuviar os olhos e proclamar — segue o baile!

Gustavo Bernardo é professor de teoria da literatura na UERJ e autor de diversos romances.

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Foto: Instagram da @luvaeditora

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